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| TER 12 | Agosto | 2008 |
| Largo da Oliveira, 22h |
Sessão
n.º 2635 |
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O Comboio das 3 e 10 |
3:10 to Yuma de James Mangold |
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com Russel Crowe, Christian Bale, Ben Foster, Peter Fonda
Argumento Halsted Welles, Michael Brandt e Derek Haas | Fotografia Phedon Papamichael | Música Original MArco Beltrami | Origem EUA 2007 | Duração 117' | Classificação M/12
2007 - 117' |
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Por que será que, sempre que aparece uma nova revoada de westerns, há umas quantas almas penadas que resolvem dizer que o western está morto e enterrado, mas… este estertor, etc e tal. Nada de mais errado. O western não morre, porque o western é grande parte da história dos EUA. Pode andar uns anos adormecido, pode emigrar para outras bandas (isto é, outros géneros. O que é grande parte do cinema de ficção-cientifica do que westerns nas galácticas?). De resto, nada morre, tudo se transforma. Um dos períodos de maior criatividade no western (os anos 50 e 60) já foi visto como agonia do género. Os mitos são eternos, renovam-se, adaptam-se aos novos tempos, são olhados por prismas diferentes, mas não desaparecem.
Depois de “Jesse James”, eis “O Comboio das 3 e 10”, um clássico de Delmer Daves, rodado em 1957, segundo um conto de Elmore Leonard, adaptado por Halsted Welles. 50 anos depois, o preto e branco deu lugar a uma cor macerada e dorida, por entre duros azuis e uma vasta paleta de ocres e castanhos; a limpidez das personagens de Glenn Ford e Van Heflin dão origem a conturbadas e complexas figuras vividas por Russell Crowe (Ben Wade) e Christian Bale (Dan Evans), e até o esquivo Charlie Prince (Richard Jaeckel) da década de 50 dá origem a um assumidíssimo gay (magnificamente interpretado por Ben Foster) nesta versão de James Mangold. Aliás, western sem gay, hoje em dia não é western. Digamos que a revisão crítica do western se está a processar nesse registo, ultrapassando mais um tabu que vigorou até há pouco.
A pequena história de Elmore Leonard conta-se rapidamente e não é na intriga que vai buscar a sua principal fonte de interesse. Dan Evans (Christian Bale) perdeu uma perna na Guerra da Secessão, e instalou-se num rancho no Arizona, onde vê a sua terra cobiçada por um latifundiário interessado na especulação que o caminho-de-ferro vai trazer. Por isso faz a vida negra a Dan, que tem mulher e dois filhos e não quer fazer má figura perante eles.
Para lá da ameaça das milícias civis do vizinho que lhes incendeiam o estábulo, Dan Evans tem ainda outras preocupações (menores, diga-se de passagem!): os índios que habitam por perto e o gang de Ben Wade (Russell Crowe), um fora da lei que gosta de assaltar diligências, bancos e demais símbolos do poder económico e político. Nesse aspecto, Wade é mais do que um fora-da-lei, é um provocador nato.
Dir-se-ia, no entanto, que Dan e Ben tinham mais razões para se associarem contra inimigos comuns do que para se oporem. Ambos, aliás, percebem isso, mas o destino leva-os por outros caminhos. Divergentes. Para ganhar 200 dólares Dan resolve oferecer-se para escoltar o bandido aprisionado até ao comboio das 3 e 10 que passa pela cidade de Contention, com destino à prisão de Yuma. E tudo se define nessa espera, no dilatar de um tempo que não tem fim, ou no aproximar galopante dos minutos que antecedem o apito do comboio a anunciar a chegada.
O filme vive da tensão que se cria entre estes dois homens, estas duas personalidades nada simples de analisar. Dois excelentes actores, um bom ritmo de narrativa, algumas proezas técnicas de registo (da fotografia à banda sonora, do guarda-roupa à direcção artística), uma realização que procura estar atenta sobretudo ao essencial (e o essencial é aqui a respiração descompassada desses dois homens, o que os move, o que os separa e o que os une, a descoberta de valores lá onde se julga que nada existe, a cumplicidade que no final se estabelece entre ambos, aparentemente contra natura, mas quem sabe?) fazem de “3: 10 to Yuma” um filme extremamente interessante e uma nova boa surpresa neste início de 2008 cheio de bons filmes nas salas de cinema (correspondendo a um óptimo final de 2007, nas correspondentes salas de cinema americanas!).
Os Oscars este ano vão ser um caso sério!
Lauro António |
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