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| DOM 25 | Outubro | 2009 |
| Centro Cultural Vila Flor, 21h45 |
Sessão
n.º 2747 |
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Parlez-Moi de la Pluie |
de Agnès Jaoui |
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com Agnès Jaoui, Jean-Pierre Bacri,
Debouzze, Pascal Arbillot
Argumento Agnès Jaoui e Jean-Pierre Bacri | Fotografia David Quesemand | Origem França 2007 | Duração 110’ | Formato 2.35:1 | Classificação M/12
2009 - 110' |
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Em Parlez-moi de la Pluie, Agnès Jaoui não somente realiza, mas também protagoniza e é autora do argumento desta comédia que revela alguns dias da vida de pessoas que possuem diferentes ligações entre si.
A aparente simplicidade do enredo e o naturalismo com que as personagens são abordadas esconde um viés político que permeia todo o filme. Mas aqui não se trata da política de massas, por mais que a personagem principal aspire entrar na política, e sim, das micro-relações entre aqueles que habitam a tela. Exactamente, uma micropolítica: uma escritora famosa, que sempre foi privilegiada pela mãe, vai visitar a família da irmã numa pequena cidade da França. Lá, ela é convencida pelo filho da empregada, argelino, a ser o principal personagem de um documentário. Nas entrevistas, ao mesmo tempo em que revela o seu carácter feminista e a sua vontade de poder, ela deixa transparecer o seu lado autoritário.
O feminismo, a relação colonizador-colonizado, a diferença de classes sociais, o ódio que alguns nutrem pela política, as relações amorosas, tudo isso se mescla no filme, revelando as pequenas tensões que existem numa simples convivência entre seres humanos. As cenas possuem uma forma descontraída, onde os problemas das personagens vão evoluindo sem drama, ou num teor mínimo de dramaticidade: a vida é repleta de problemas, mas é preciso levá-la, da melhor forma possível, com certa poesia e bom humor.
Sem grandes pretensões, e elaborado de forma simples, o filme é leve e realmente agrada pela sua forma de ver as coisas. Existe um optimismo, muito interessante nos dias de hoje, e raro. Num mundo onde parece haver a preferência pelo trágico, revelada pelos media, e onde os filmes são geralmente barulhentos, épicos e sangrentos, uma obra que busca a simplicidade com graça é importante.
Algumas sequências são realmente muito bem encenadas, não somente pela interpretação dos actores ou pelas opções de enquadramento e movimento das câmaras, bem fluidos e que procuram contar a estória, mas também pelo ritmo da acção, agregado à musica. Esta é realmente muito boa, uma vez que através de uma série de composições bem diferentes — nenhuma delas composta especialmente para o filme — leva o espectador através do enredo, transmitindo uma paz tranquilizadora.
Na perspectiva do argumento, mas também da própria forma, uma mistura de imagens em movimento e sons, que possui uma plástica-rítmica fundamental para influenciar os nossos pensamentos nos 110 minutos de projecção, Parlez-moi de la Pluie é vitorioso ao trazer diversão na medida certa, com humor inteligente. Um colírio para os olhos e música para os ouvidos.
Francisco Taunay, in Opinião e Notícia (24 Jul’ 09)
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