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DOM 14 | Fevereiro | 2010
Centro Cultural Vila Flor, 21h45
Sessão n.º 2771
O Milagre em Sant’Anna
Miracle at St. Anna de Spike Lee


com Derek Luke, Michael Ealy, Laz Alonso, Omar Benson Miller, Valentina Cervi
Argumento. James McBride | Fotografia. Matthew Libatique | Música Original. Terence Blanchard | Origem. EUA/Itália 2008 | Formato. 2.35:1 | Classificação. M/12


2008 - 160'


(…) Baseado no livro de James McBride, este filme está longe de ser apenas mais um filme sobre a segunda guerra [mundial]. Nas mãos de Spike Lee (que tem na sua filmografia bons trabalhos como “Faça a coisa Certa”, “Malcolm X”, “Irmãos de Sangue” e “O Plano Perfeito”), “Milagre em Santa Anna” é um trabalho complexo sobre factos que ocorreram durante a segunda guerra mundial e que levaram homens, mulheres e crianças ao extremo. Com uma história central, o relacionamento de um soldado americano com um menino italiano perdido, o filme tem várias vertentes de reflexão através de inúmeras personagens que vão surgindo.

Aqui, temas como o preconceito racial, a importância da solidariedade, a morte de inocentes, a traição, a união, a sobrevivência e a religiosidade vão se misturando através das personagens, criando um grande painel sobre o ser humano e suas angústias que se vão revelando na medida que enfrentam a vida e a morte. O clímax de todas as situações revela-se no facto real do massacre de Sant'Anna di Stazzema, em Agosto de 1944, articulado por soldados nazis, quando homens, mulheres e crianças de uma vila foram sacrificados como retaliação à actividade política italiana naquela região. Numa cena dramática, Spike Lee revela os horrores da guerra e mais do que isso, questiona o que aprendemos com tantas mortes.

A figura do menino salvo pelo soldado ganha em vários momentos um tom de misticismo, equilibrando os sentimentos dos soldados negros que, em muitos momentos, se sentem melhor num outro país do que no seu próprio país de origem, devido ao preconceito. Nesse momento, Spike Lee toca mais uma vez, no assunto do racismo na América. Racismo este ainda vivo em guerras do passado e do presente, quando soldados negros vão em grande número para os conflitos. (…)

Com cenas muito bem realizadas e um argumento que provoca a reflexão, este filme faz-nos olhar para o passado da guerra com pesar, deixando-nos um olhar crítico sobre o nosso presente e o nosso futuro, procurando respostas às perguntas que os seus personagens nos fazem no decorrer da história. (…)

Marco António Moreira in portalcultura.com.br (15 Setembro 2009)